Principais dúvidas sobre a cirurgia de catarata
- Dr Lennon da Costa

- 12 de ago.
- 5 min de leitura

A cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais realizados e bem-sucedidos da medicina moderna. Ainda assim, é natural que pacientes e familiares tenham dúvidas antes da cirurgia. Afinal, trata-se da visão, um dos sentidos mais importantes para a nossa qualidade de vida.
Neste artigo, reunimos as perguntas mais frequentes sobre a cirurgia de catarata para ajudar você a entender como funciona o procedimento, o que esperar da recuperação e quais fatores devem ser considerados na escolha da melhor lente intraocular.
Chegou a hora de operar?
A indicação da cirurgia não depende apenas da presença da catarata, mas principalmente do quanto ela está interferindo na sua rotina.
Alguns sinais de que pode ter chegado o momento de considerar a cirurgia incluem:
Visão embaçada mesmo com óculos atualizados;
Dificuldade para dirigir, principalmente à noite;
Sensibilidade excessiva à luz;
Necessidade de mais iluminação para ler;
Alteração na percepção das cores;
Dificuldade para reconhecer rostos ou realizar atividades do dia a dia.
Antigamente era comum esperar a catarata "amadurecer". Hoje sabemos que essa conduta não traz benefícios. Pelo contrário: cataratas muito avançadas podem tornar a cirurgia mais difícil e aumentar o risco de complicações.
A decisão ideal é individualizada, baseada na avaliação do oftalmologista e, principalmente, no impacto da catarata sobre sua qualidade de vida.
A cirurgia dói?
Essa é uma das maiores preocupações dos pacientes. A resposta é simples: na grande maioria dos casos, não.
Durante a cirurgia, o paciente normalmente sente apenas uma leve sensação de pressão ou manipulação do olho, mas não dor.
Isso acontece porque o procedimento é realizado com anestesia local e sedação muito leve. Além de técnicas modernas que tornam a cirurgia extremamente delicada.
Após a cirurgia, pode haver discreto desconforto, sensação de areia nos olhos ou leve sensibilidade à luz nas primeiras horas, sintomas que costumam melhorar rapidamente ao longo dos primeiros dias.
A cirurgia é feita com anestesia?
Sim.
Na maioria dos pacientes, utiliza-se anestesia local com colírios anestésicos e sedação leve. Em alguns casos específicos, especialmente quando há dificuldade para manter o olho imóvel ou outras condições clínicas, pode ser indicada uma anestesia complementar ao redor do olho.
Além disso, é muito comum que o anestesista administre uma sedação leve pela veia, permitindo que o paciente permaneça tranquilo e confortável durante todo o procedimento.
O paciente permanece respirando espontaneamente, sem necessidade de anestesia geral na grande maioria das cirurgias.
Quanto tempo dura a cirurgia?
A cirurgia propriamente dita costuma durar entre 10 e 20 minutos. No entanto, considerando o preparo, a entrada no centro cirúrgico, a recuperação inicial e a alta, o paciente permanece no hospital ou centro cirúrgico por aproximadamente duas a três horas. Após esse período, já pode retornar para casa acompanhado.
Vou precisar de óculos depois da cirurgia?
Depende.
Esse é um dos aspectos mais importantes da consulta pré-operatória.
A cirurgia de catarata permite substituir o cristalino opaco (catarata) por uma lente intraocular permanente. Existem diferentes modelos de lentes, cada uma com características específicas.
Dependendo da lente escolhida e das características dos olhos do paciente, é possível:
reduzir significativamente a dependência dos óculos;
corrigir miopia;
corrigir hipermetropia;
corrigir parte ou todo o astigmatismo;
em alguns casos, proporcionar boa visão para longe e para perto.
Entretanto, nenhuma lente é ideal para todos os pacientes.
A escolha deve levar em consideração fatores como profissão, hábitos de leitura, direção noturna, doenças oculares associadas e expectativas individuais.
Uma conversa detalhada com o oftalmologista é fundamental para escolher a opção mais adequada.
Qual lente será usada?

Hoje existem diversas lentes intraoculares disponíveis.
Entre elas estão:
Lentes monofocais
São as mais antigas e consideradas de baixa tecnologia.
Podem proporcionar boa qualidade visual para uma distância específica, em pacientes que não possuem astigmatismo. Como não corrigem o astigmatismo, muitos pacientes não alcançam boa visão para longe e perto, necessitando do uso de óculos em tempo integral. Há forte necessidade do uso de óculos para leitura.
Lentes tóricas
Além de corrigirem a catarata, também corrigem o astigmatismo corneano.
Podem reduzir significativamente a necessidade de óculos para visão de longe.
Lentes de foco estendido (EDOF)
Oferecem uma faixa maior de foco, proporcionando boa visão para longe e visão intermediária, com menor dependência de óculos em muitas atividades.
Lentes multifocais
Permitem enxergar em diferentes distâncias, reduzindo bastante a necessidade de óculos em pacientes cuidadosamente selecionados.
Nem todos são candidatos a esse tipo de lente, sendo indispensável uma avaliação detalhada da saúde ocular.
A melhor lente não é necessariamente a mais cara, mas sim aquela que melhor atende às necessidades individuais do paciente.
Qual é o tempo de recuperação?
A recuperação costuma ser rápida.
Grande parte dos pacientes já percebe melhora importante da visão nos primeiros dias.
Entretanto, a estabilização visual completa pode ocorrer ao longo de algumas semanas.
Durante esse período, é importante seguir corretamente as orientações médicas, que geralmente incluem:
uso dos colírios prescritos;
evitar coçar os olhos;
proteger o olho conforme orientação médica;
evitar esforço físico intenso nos primeiros dias;
comparecer às consultas de acompanhamento.
Cada paciente possui um ritmo próprio de recuperação.
Posso operar os dois olhos?
No mesmo ato cirúrgico: nunca. Um olho é operado de cada vez.
Essa é a conduta mais adotada por oferecer maior segurança e permitir acompanhar adequadamente a recuperação do primeiro olho antes da cirurgia do segundo.
O intervalo entre as cirurgias varia conforme cada caso, podendo ser de alguns dias até algumas semanas.
Onde será realizada a cirurgia?
A cirurgia de catarata é realizada em ambiente cirúrgico adequado, geralmente em hospital ou centro cirúrgico especializado em oftalmologia.
Esses locais possuem toda a estrutura necessária para garantir segurança, controle rigoroso de esterilidade e equipamentos modernos utilizados durante o procedimento.
Após um curto período de observação, o paciente recebe alta no mesmo dia.
Quem fará o acompanhamento?
O acompanhamento é uma parte essencial do sucesso da cirurgia.
As consultas pós-operatórias permitem avaliar a cicatrização, acompanhar a recuperação visual, ajustar o tratamento com colírios e identificar precocemente qualquer alteração que necessite de atenção.
P or isso, é fundamental manter todas as consultas agendadas, mesmo quando a recuperação parece estar ocorrendo normalmente.
O acompanhamento próximo entre médico e paciente é um dos fatores que contribuem para excelentes resultados visuais.
Conclusão
A cirurgia de catarata é um procedimento moderno, seguro e altamente eficaz quando realizada na indicação correta e acompanhada por uma equipe experiente.
Mais do que remover a catarata, o objetivo atual é proporcionar uma melhora significativa da qualidade visual e da qualidade de vida, permitindo que o paciente volte a realizar suas atividades com segurança e independência.
Se você percebe que sua visão está comprometida ou recebeu o diagnóstico de catarata, agende uma avaliação com seu oftalmologista. Uma consulta detalhada permitirá identificar o momento ideal da cirurgia e definir a lente intraocular mais adequada para o seu estilo de vida.
Perguntas frequentes (FAQ)
A catarata pode voltar depois da cirurgia? Não. A catarata não retorna, pois o cristalino opaco é removido. Em alguns pacientes pode ocorrer opacificação da cápsula posterior meses ou anos depois, situação tratada de forma simples com laser YAG.
Existe idade máxima para operar catarata? Não. A indicação depende das condições clínicas e da saúde ocular, e não apenas da idade.
Quando posso voltar a dirigir?
Isso varia conforme a recuperação visual e a orientação do oftalmologista. Muitos pacientes recebem liberação em poucos dias, enquanto outros necessitam de um período maior.
Quem tem diabetes ou glaucoma pode fazer a cirurgia?
Na maioria dos casos, sim. Entretanto, essas doenças exigem uma avaliação individualizada e acompanhamento mais cuidadoso antes e após a cirurgia.
A cirurgia é feita a laser?
A maior parte das cirurgias é realizada por facoemulsificação, utilizando ultrassom para remover a catarata. Em casos selecionados, pode ser utilizado o laser de femtossegundo em algumas etapas do procedimento.




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